segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Libra, o 7º Trabalho de Hércules

  “A captura do Javali de Erimanto” - A aquisição do equilíbrio dos opostos. A segunda iniciação

   Neste sétimo Trabalho, Hércules é incumbido de capturar o Javali de Erimanto, sem contudo saber que este trabalho era na verdade uma dupla prova: a prova da amizade rara e da coragem desmedida.
Foi- lhe recomendado que procurasse pelo javali e apolo lhe deu um arco novo para usar, porém Hécules disse que não o levaria consigo. Ele disse: “Eu não o levarei comigo neste trabalho, pois temo matar. Em meu último trabalho nas praias do grande mar, eu matei. Desta vez não farei isto. Deixo aqui o arco”. E assim desarmado, a não ser por sua clava, ele escalou a montanha, procurando pelo javali e encontrando um espetáculo de medo e terror por toda a parte.
   Mais e mais ele subia, então encontrou um amigo, Pholos, que fazia parte de um grupo de centauros, conhecidos dos deuses. Eles pararam e conversavam, por algum tempo Hércules se esquceu do objetivo de sua busca. Pholos convidou Hércules para furar um barril de vinho, que não era dele, mas do grupo de centauros e que viera dos deuses, com a ordem de que eles jamais deveriam furar o barril, a não ser quando todos os centauros estivessem presentes, já que ele pertencia ao grupo. Mas Hércules e Pholos o abriram na ausência de seus irmãos, convidando Cherion, um outro sábio centauro, para se juntar a eles. Assim ele fez, e os três beberam e festejaram, se embebedaram e fizeram muito ruído que foram ouvidos pelos outros centauros.
   Enraivecidos eles vieram e uma feroz batalha se seguiu, e uma vez mais Hércules se fez mensageiro da morte e matou seus amigos, a dupla de centauros que ele antes havia bebido. E, enquanto os demais centauros com altos lamentos choravam suas perdas, Hércules escapou novamente para as altas montanhas e reiniciou sua busca pelo javali.
   Até o limite das neves ele avançou, seguindo a pista do animal, mas não o encontrava. Depois de muito pensar, Hércules colocou uma armadilha habilidosamente oculta, e esperou nas sombras pela chegada do javali. Quando a aurora surgiu, o saiu da sua toca levando por uma fome atroz e caiu na armadilha de Hécules que, no tempo devido, libertou a fera selvagem, tornando-a prisioneira de sua habilidade. Ele lutou com o javali e o domesticou, e fê-lo fazer o que lhe determinava e seguir para onde Hércules desejava. Do pico nevado da alta montanha Hércules desceu, regozijando-se no caminho, levando adiante de si, montanha abaixo, o feroz, contudo domesticado javali. Pelas duas pernas traseiras ele conduzia o javali, e todos na montanha se riam ao ver o espetáculo. E todos os que encontravam Hércules, cantando e dançando pelo caminho, também riam ao ver sua caminhada. E todos na cidade riram ao ver o espetáculo: o exausto javali e o homem cantando e rindo. Quando reencontrou seu Mestre, este lhe disse: “O Sétimo Trabalho foi completado. Medita sobre as lições do passado, reflete sobre as provas. Por duas vezes mataste a quem amavas. Aprende por que”. E     Hércules permaneceu onde estava, preparando-se para o que mais tarde ocorreria: a prova suprema.
   Este Sétimo Trabalho está associado ao signo de Libra, que é o signo mais difícil de compreender. É o primeiro signo que não tem um símbolo humano ou animal, mas sustentando a balança, está a figura da Justiça, uma mulher com os olhos vendados. Ele se apresenta com muitos paradoxos e extremos, dependendo de se o discípulo que se voltou conscientemente para o caminho de volta ao “Criador”, segue o Zodíaco segundo os ponteiros do relógio, ou no caminho inverso. Diz-se que é um interlúdio, comparável com a silenciosa escuta na meditação; um tempo de cobrança do passado.
   Neste ponto percebemos como o equilíbrio dos pares de opostos deve se atingido. A balança pode oscilar do preconceito até a justiça ou julgamento; da dura estupidez à sabedoria entusiástica. Neste majestoso signo de equilíbrio e justiça nós verificamos que a prova termina numa explosão de riso, o único trabalho em que isto acontece.
   Descendo a montanha veio Hércules, empurrando o javali como um carrinho de mão, cantando e rindo, e todos os que o observavam riam com ele prazerosamente; e isto apesar do fato que novamente Hércules cometera um grave erro. Foi-lhe recomendado que guardasse tempo para comer e ele desperdiçou-o numa bebedeira com dois velhos amigos centauros. Eles furaram o barril de vinho que somente deveria ser aberto por e para o grupo.
   Muito poderia se dizer sobre isto, mas é mais válida que cada um medite e encontre suas próprias respostas. Também devemos pensar que enquanto Hércules tomou todas as precauções para não matar o javali, matou os dois amigos. Assim a tentação nos persegue quando pensamos que conseguimos já haver removido as ciladas do caminho. Mas quando o Mestre o repreende o faz levemente. Neste Trabalho não houve louvor especial, ele apenas passou pela tarefa, mas o Trabalho foi declarado terminado. Justiça com misericórdia: “Se Tu ó Deus, fordes extremo para marcar o que é feito de maneira imprópria, oh Senhor, quem poderá habitá-lo?”


Bibliografia: Os 12 Trabalhos de Hércules - Alice A. Bailey




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