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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Lua e o "Eu" Inconsciente

                        A Lua e o “Eu” Inconsciente

   Venerada como divindade na antiguidade, a Lua foi vinculada ao feminino, a fecundidade, a fragilidade, a mãe, a nutrição e a instabilidade. É a energia da nossa natureza emocional e, o signo em que se encontra define esta natureza arquetípica.
   A Lua revela as manifestações do inconsciente, simboliza a nossa alma, os nossos sonhos, as nossas fantasias e outras manifestações do “eu” profundo e inconsciente. Como guardamos as impressões das experiências vividas, nosso humor e como reagimos. Representa o passado, o condicionamento, a imaginação, as viagens, as mudanças temporárias, intuição, sonhos, fantasia, o yin, desejos, emoção, instinto, alma, a mãe, feminilidade, o lado inconsciente da personalidade, a energia passiva, a família, a casa, a sensibilidade, os assuntos domésticos, a saúde e o cotidiano.
   Na interpretação astrológica governa os nossos instintos mais básicos e primários, a nossa maneira intuitiva de ser, o nosso lado mais sensível e emocional.
   A casa em que Lua se localiza em nosso mapa recebe essa energia fluida e impressionável. Possui força para dar e receber nutrição física e emocional, mas também insegurança e sensibilidades fora de controle.
   No mapa natal, o signo e casa da Lua oferecem uma descrição bastante detalhada do tipo de coisas que nos proporcionam sensação de segurança. Nossa fome lunar é uma característica humana básica, apesar dos modos de expressão variarem. Se não soubermos como acolher e expressar nossa condição lunar, a Lua não consegue operar diretamente através da personalidade, vai se manifestar indiretamente, através dos mecanismos cegos que adotamos quando estamos inconscientemente ansiosos e precisamos recuperar a segurança, criando assim nossos comportamentos compulsivos.
   Todos têm algum grau de compulsão, pois a vida muitas vezes é realmente insegura, mutável e desconhecida. Ninguém tem segurança suficiente para nunca ter medo. Se conseguirmos conhecer, aceitar e respeitar nossa Lua podemos aprender a nos nutrir adequadamente, o que permita lidar com a ansiedade de forma mais sensata e criativa.
   Aqui aprendemos como reagir emocionalmente a todas as forças estimulantes da vida. Através da prática, desenvolvemos padrões de reação que se tornam estruturas construtoras de atitudes. Conhecendo as estações ou as mudanças que fluem interiormente, vamos alcançar e manter uma reflexão clara e precisa do ser, não somente através de nossos próprios olhos, mas através dos olhos dos outros.
   A elevação da consciência através da posição da Lua é, na verdade, uma tarefa muito trabalhosa. Isso não significa que um indivíduo precisa exercitar o controle emocional, mas sim que precisamos alcançar a harmonia emocional. Freqüentemente essas duas coisas não são iguais. Controlar nossas emoções, levando em consideração os fatores desagradáveis fora de nós mesmos, é como usar um guarda-chuva, nos proteger, e ao mesmo tempo ter a possibilidade de escolher entre sol e chuva, gostaríamos que não chovesse, mas chove, e só o que podemos mudar são as nossas impressões sobre ela.
   A verdadeira harmonia emocional vem do reconhecimento de que não podemos mudar o tempo, mas, certamente, podemos mudar a maneira de nos aliarmos a ele.
   O bambu que verga na tempestade enquanto suas folhas voam com o vento, ergue-se novamente quando a tempestade se acalma, recupera seu esplendor e movimento. Ao mesmo tempo, uma árvore frágil sempre é destruída pela tempestade.
   Os delicados galhos e folhas do bambu são muito parecidos com a natureza emocional do homem, que é representada pela Lua. Embora os galhos e folhas se curvem a cada brisa, nós temos a consciência de que a sobrevivência depende de nossa capacidade de manter a ligação ao tronco da árvore, que é representado na linguagem astrologica pelo Sol.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Lua Negra/Lilith em Virgem



  Devo lembrar de que a Lua Negra, em trânsito, não provoca absolutamente nada, nós que criamos. Na expectativa de que vai ter um trânsito, já esperamos algo, sintonizamos, abrimos canal, então realmente acontece, então fomos nós que tecemos.
   Com o Sol, Mercúrio e Vênus em Sagitário, Júpiter em Leão e Urano em Áries a Lua Negra em Virgem começando a se aproximar de uma oposição a Netuno em Peixes, que vai se dar em meados de 2015, achei oportuno falar do trânsito deste ponto de apogeu da órbita lunar projetado na eclíptica zodiacal.
   Os poderosos arquétipos do fogo, Áries/Leão/Sagitário, relacionados a vida, a noção de indentidade, e as leis que a regem o convívio dos humanos entre si e com o lugar que estamos, enfatiza as possibilidades transformadora da Lua Negra em Virgem, que pode mostra onde podemos deixar que a Totalidade fale dentro de nós, sem atravessar o “Eu” pelo caminho, sem erigir um muro formado pelo nosso ego. Ao mesmo tempo, ela não nos indica passividade, ao contrário, simboliza a firme vontade de nos manter abertos e confiantes, deixar que o Mundo Transcendental infiltre-se em nós, confiando inteiramente nas grandes Leis do Universo. Ao nos preparar para essa abertura, a Lua Negra reflete a criação de um vazio necessário.
   Em Virgem este muro pode ser nossas insatisfações do dia a dia e as formas como as conduzimos, com nossas atividades quotidianas, mesmo quando nos são confortáveis. Comportamentos evasivos ou infantis, geralmente muito preocupado com a saúde, procurando todo o tipo de terapia ou tratamento de que se ouve falar, mesmo sabendo que não precisa, é só precaução, afirma. Dificuldade com disciplina e perseverança, que faz desperdiçar talentos e realização de desejos, caso os tenha. Revela onde fazemos o que não gostamos, e não conseguimos fazer o que queremos de verdade.
  Segundo Carl G. Jung “uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além de seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto inconsciente, mais amplo, que nunca é precisamente definido ou de todo explicado”. Lillith se encaixa perfeitamente nesta visão junguiana de complexa simbologia mística, onde o inconsciente é manifestado em todas as suas expressões.
  A imagem que me ocorre é um estádio de futebol colocado abaixo para se erguer um enorme salão de baile. Abaixo a competição, as tabelas de jogos, as torcidas, o fanatismo, as crenças limitadoras e o turbilhão da massa em fúria, para se construir a elevação do corpo e do espírito através da música, do prazer, da dança e dos movimentos sem coreógrafo ou padrões. Expressão pura do Ser/Eu em pares de dançarinos que se revezam ao longo da dança.
  A Lilith/Lua Negra simboliza a sombra citada por Jung, que muitos preferimos evitar, mas que é imprescindível para a integração da nossa personalidade, como forma de nos tornarmos adultos e assumirmos as escolhas que fizemos na vida. Com um quê de elevação e sentido pessoal.
  Em trânsito, a Lua Negra sempre nos indica alguma forma de castração ou frustração, frequentemente nos assuntos relacionados ao desejo, uma incapacidade da psique, ou uma inibição em geral. Por outro lado também aponta nossas áreas de autoquestionamento, na vida, no trabalho e em que acreditamos. Sua importância se dá pela oportunidade de abrir mão de algo.
  Neste período de Lua Negra/Lilith em Virgem podemos atuar na inversão do descaso, do permitido ao frágil, ignorante, inferior e enfrentar os nossos desejos, lutar com estratégia e disciplina para realizar nossos sonhos e aspirações mais profundas e inconfessáveis, até agora. Pode ser um bom período para “sair do armário”, como se diz popularmente, ou seja, assumir a sexualidade e todas as formas que temos prazer.
   Os que tem Lilith em Virgem podem ser pessoas ambíguas, carregam um infinito sentimento de inferioridade, que pode levar a se limitarem intelectualmente. Podem ter tendência a bipolaridade, oscilam entre a euforia descontrolada e a tristeza profunda. Seu desafio é estudar e se especializar principalmente em ciências biológicas, medicina, nutrição, enfermagem, veterinária etc. A partir daí vão descobrir suas capacidades ao servir a vida de forma meticulosa, realizando o desejo de perfeição de forma concreta, sem desculpas e desleixo. Precisam mudar o padrão energético através da alimentação. São grandes terapeutas. A isto chamo magia, habitat da Lilith, a arte de transmutar, transformar e evoluir.
  Das Liliths em Terra, Touro, Virgem e Capricórnio, está pode ser a mais violenta, o arquétipo da mãe devoradora.
  Vamos vivenciar um período que podemos definir que algumas coisas não devem mais se repetir, com a nossa sexualidade, nutrição, organização e métodos.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Vênus Revisitada/O Anjo Negro da Nossa Natureza


                                           Por Dana Gerhardt
   Vênus sugere vestidos fluidos, riso semelhante a música e um sensual à vontade com a vida. Ela é receptividade, beleza e graça femininas, a menos que você esteja a falar com um astrólogo para quem o planeta Vênus é sobretudo um símbolo de amor e dinheiro. Mas estarão estas associações corretas? Qual é a nossa verdadeira experiência do arquétipo de Vênus? E como é que isto se correlaciona com a posição dela nos nossos mapas? Esta indagação inspirou um projeto de investigação de dois anos (vejam a primeira parte da última edição de "Venus Revisited") no qual eu comparei o posicionamento de Vênus de 426 indivíduos face às suas respostas a um inquérito profundo que sonda todas as facetas da experiência venusiana – amor, relações, gostos estéticos, criatividade, finanças, sexo, mágoas e felicidade. Inquérito a inquérito, tornou-se óbvio que em simultâneo com a Vênus harmoniosa, amorosa e sensual coexistia uma outra, tensa, mais conflituosa e até mesmo divisora.
   É esta mesma Vênus, tal como na anedota do velho Flip Wilson, “Foi o diabo que me obrigou a fazer isto”, que inspira as nossas opções mais questionáveis, aquelas que evocam dor e confusão, mesmo que irrevogavelmente mudem as nossas vidas. Ela é o anjo negro da nossa natureza, cheia de desejo, ansiando por excitação em detrimento da paz, encorajando-nos a atirarmo-nos do precipício do status quo. Se esta outra Vênus fosse uma heroína de novela romântica, a sua história poderia começar com o seguinte parágrafo (escrito por uma Vênus de 5ª casa em Peixes):
   Algo indescritível tomou controlo dos seus sentidos. Com a dor a dilacerar o seu coração, o calor do coração revela-se inapropriado, demasiado quente e aconchegante. Lá fora o vento ululante alia-se às ondas do oceano que de uma valsa suave se convertem num tango agressivo e apaixonado. O desejo de ser violentamente acariciada pelo vento toma conta dela. Ela agarra no seu xale mais grosso e se encaminha para a beira do penhasco, onde o vento sopra na sua intensidade máxima. As ondas alcançam-na, salpicando a cara dela com água salgada. O vento sacode a sua roupa e o seu cabelo- num tumulto tal como o seu coração. Ainda assim, há tanta beleza para apreciar, mesmo agora.
   Os astrólogos não precisam de ir à procura nos asteroides ou nos confins do sistema solar para localizar esta deusa mais tumultuosa. Enquanto receptividade feminina, Vênus significa a nossa capacidade de abertura à vida. Isto traz prazer, mas também vulnerabilidade, penetração e dor mas até isso, pode ser bonito de acordo com os padrões de Vênus. A deusa que anseia por prazer e paixão gosta da variedade e intensidade o que pode ser revigorante. Isto também pode ser perturbador, inspirando escolhas que nos envergonham ou humilham, encaminhando-nos para amantes que não são bons para nós, para orgias de destruição que mais tarde lamentamos, estimulando os ciúmes, inadequação e medo da perda. Enquanto arquétipo, Vênus mapeia o nosso itinerário para a felicidade. Mas ela recusa-se a seguir somente por estradas seguras e bem iluminadas. Devido à sua própria natureza, ela continua a encaminharmo-nos para as trevas.
   As antigas culturas que observavam o céu compreenderam isto, observando o seu ciclo com um misto de reverência, assombro e medo. Sendo a nossa estrela mais próxima e brilhante, a sua influência era inegável. Para os Maias, Sumérios, Babilônios e muitas culturas indígenas, o seu ciclo mostrou a iniciação xamanística e a mudança, à medida que se transformava de estrela da manhã em estrela da noite e depois o inverso de novo, desaparecendo no submundo entre esses dois momentos. A visão moderna de Vênus enquanto promessa de alegria constante revela o nosso distanciamento do processo demonstrativo do céu.
   As duas queixas mais frequentes feitas pelas pessoas acerca da sua Vênus é que ela não lhes tem trazido amor eterno ou somas de dinheiro avultadas. Mas estas são promessas de astrólogo. Nunca li qualquer lenda sobre Vênus/Afrodite que mostrasse a deusa a contar grandes quantidades de dinheiro ou a declarar a sua fidelidade a um único verdadeiro amor. Ela é sexy e criativa, e também inteligente, curiosa e promíscua. Quando apenas queremos a “Vênus feliz” tendemos a recriar o mito de Pandora. Segundo Hesíodo, Pandora foi a primeira mulher. Foi criada por Zeus para punir o roubo de Prometeu. Moldada por Hefesto a partir da água e da terra e abençoada com dádivas de todas as divindades incluindo o desejo e a graça de Afrodite, Pandora chegou com um jarro que lhe pediram que não abrisse. A curiosidade levou a melhor e ela espreitou por debaixo da tampa , libertando todos os males do mundo. Podemos ter uma surpresa semelhante, quando esperamos roubar somente guloseimas a Vénus. Inevitavelmente libertamos o lado sombrio dela.
   A misoginia da fábula de Hesíodo é óbvia. As feministas encaram-na como mais uma acha na guerra do patriarcado contra o feminino. Provavelmente, Hesíodo reformulou um mito da deusa mais antigo, em que a primeira mulher chegou transportando um jarro que continha ao invés do mal, os mistérios femininos, os poderes associados à intuição, aos sonhos e à profecia assim como ao subconsciente e ao fértil desconhecido. As primeiras deusas da fertilidade foram a matriz da qual brotou toda a vida. Mas nos panteões patriarcais, foram despidas da sua plenitude e fragmentadas em múltiplas deusas com menos poderes. Para compreender como Vênus opera nos nossos mapas, temos de a voltar a ligar à sua linhagem matriarcal. Temos de a encarar como uma força da natureza. Ela é uma flor perfumada atraindo amantes e abelhas- mas também um terramoto ou furacão. Ela nem sempre é segura. A sua fertilidade pode inspirar a criatividade artística, uma união sexual que dá origem a uma criança ou uma experiência que choca e nos obriga a crescer.       Enquanto receptividade feminina, Vênus leva-nos aos nossos limites, à beira do nosso crescimento; a dor que ela traz é generativa. Tal como a psicóloga e a autora Ginette Paris escreve, Afrodite “não é apenas uma fonte de alegria, mas um caminho para o conhecimento interior.” Por outras palavras, ela traz mais que amor e dinheiro. Ela mergulha-nos na vida.

Intervalo técnico


   Porque estradas escuras a Vênus pessoal poderá viajar poderá ser sugerido pelo seu signo e casa. Mas os posicionamentos mais eloquentes são frequentemente os aspetos a Vênus – as conjunções, as quadraturas, as oposições, os trígonos, os sextis dos outros planetas. Partilharei algumas citações e histórias mas primeiro tenho de revelar o meu método. Se você estiver pouco preocupado com a precisão técnica, salte esta parte. Fui sempre exigente com as orbes apertadas, fui treinada pelo meu professor para esmiuçar os mapas até chegar aos aspetos menores, pontos harmônicos e pontos médios. A maior parte dos dias chego mesmo a torcer o nariz de desaprovação para com o sistema “alfabético” que estabelece equivalências entre signos, casas e planetas. Comecei a minha investigação sobre Vênus com planilhas para calibrar as características técnicas de cada mapa. Isto teria sido uma boa ideia se eu apenas tivesse conseguido os 30-50 participantes que eu esperava, mas com 426 participantes tornou-se avassalador. A minha única alternativa foi optar por utilizar técnicas intuitivas (que é claro são mais venusianas).
   Trabalhar intuitivamente significa ouvir. Li os questionários dos entrevistados e ouvi os padrões, depois observei como as palavras correspondiam ou não aos mapas. Reuni todas as Vênus sagitarianas, ou o grupo com a Vénus na 8ª casa e ouvi as similaridades entre elas. Também foi importante o que as pessoas não diziam. De facto, várias fábulas astrológicas se desvaneceram desta forma. A primeira foi " o ciúme é próprio de uma Vênus afligida em Escorpião" (ou uma influência de 8ª casa/Plutão). Quando mais de metade dos entrevistados admitiram ter problemas com o ciúme, este facto confirmou que o ciúme é um traço venusiano genérico. Não é apenas tolo mas inexato limitar o ciúme a um signo. O mais excitante foi ouvir que havia de facto similitudes que ligavam cada grupo venusiano e que o tornavam diferente dos outros. As Vênus em Aquário relataram aspirações amorosas similares, distintas das partilhadas pelas Vênus em Caranguejo/Câncer. Mesmo após vinte anos de prática astrológica, sinto-me sempre emocionada e um pouco surpreendida por ver que a astrologia funciona.
   No entanto, a leitura dos questionários trouxe também momentos de confusão, nos momentos em que ouvi a nota inconfundível de um planeta que não estava ligado à árvore de Vênus. Uma Vênus conjunta a Marte queixou-se mais de uma vez de desespero ou de baixa autoestima e estava à espera de ver a mão sombria de Saturno pousada sobre Vênus ou Marte, mas ela não estava lá. Embora as minhas perguntas focassem assuntos de Vênus, nada impedia que o Sol ou a Lua ou qualquer outro fator respondessem também. E por vezes era aí que o aspecto de Saturno se escondia. Mas o que é importante num mapa é dito pelo menos três vezes. Quando levantei os meus olhos e suavizei o seu foco, toda uma nova rede de relacionamentos venusianos apareceu. Frequentemente, um planeta influenciava Vênus através de um aspecto cuja orbe era superior a dez graus ou ainda maior. Por vezes um planeta exterior, cuja única ligação a Vênus era o facto de ocupar a mesma casa, com um afastamento de vinte graus, ainda figurava na história de Vênus daquela pessoa. Estes aspetos amplos e lasso frequentemente falavam mais alto que os aspetos mais apertados e pequenos, como os quintis e biquintis com orbe de um grau.
   Conheço astrólogos que interpretam os aspetos por signo em vez de orbe (como se lessem qualquer planeta em Touro em quadratura com qualquer planeta em Aquário, independentemente dos seus graus). Está prática costumava fazer-me revirar os olhos. Não esperava que estudar tantos mapas desta forma tão focada me fizesse relaxar a minha precisão astrológica, mas fez. Talvez seja apenas uma fantasia de técnico achar que os deuses permanecem confinados dentro de discretas fronteiras numéricas. As vidas reais são confusas. Os limites arquetípicos misturam-se e esborratam. Sinto-me agora mais confortável com o sistema alfabético. Vi como funciona vigorosamente. Uma Vênus na 9ª casa pode ser de facto como uma Vénus em Sagitário ou em aspecto com Júpiter. Também descobri que a natureza particular de um aspecto – quer seja uma quadratura, trígono ou sesquiquadratura, pode ter menos importância que a habitualmente atribuída. Na experiência da vida real, uma quadratura pode não ser tão diferente de um inconjunto. O que importa é que os planetas estão ligados. Entre os entrevistados cuja Vênus aspectava a Lua, ouvi temas similares, quer os planetas estivessem ligados por uma conjunção, trígono ou oposição. Quão bem os planetas funcionavam parecia ter mais a ver com os antecedentes da pessoa e com a sua vontade de crescer – um mistério que frequentemente prevalece sobre a matemática.
   Tenho desejos sensuais mesmo antes de saber o que era o sexo. Quando eu tinha apenas quatro anos, a minha mãe levou-me à praia. Assim que ela se acomodou , reparou que a minha atenção estava orientada para um homem incrivelmente bonito que apanhava banhos de sol próximo de nós. De repente levantei-me e caminhei em direção a este homem, ajoelhei-me ao seu lado, acariciei-o suavemente da parte superior da coxa até ao joelho e disse, “Hmmm, cheiras como um homem.” A minha mãe ficou horrorizada. Sempre tive rapazes na minha mente, mas curiosamente o “sexo” assustava-me. Fui virgem até aos 19. Os meus relacionamentos têm sido um desastre. Como tenho estado por minha conta desde os 16, acho que tenho confundido amor e segurança, contentando-me com segundas escolhas porque não sentia que conseguia melhor. Sinto-me muito autoconsciente do meu corpo e não entusiasmada com a nudez. Não quero sentir vergonha, mas sinto; no entanto quando excitada e durante o sexo, isto desaparece. Já não receio não ser perfeita. A minha deusa interior toma o controlo e é maravilhoso estar despida. (Vênus quadratura à Lua)
   O lado negro do aspeto Lua/Vênus remonta ao Monte Olimpo, onde o Feminino dividido começou a entrar em conflito consigo mesmo. A competição entre Hera, rainha do céu e a deusa do sexo Afrodite desencadeou não apenas a guerra de Troia, mas também uma fricção inconsciente entre nutrição e sexo ou entre a segurança dos relacionamentos e o seu prazer saudável. Podemos compreender o horror de uma mãe face ao despertar sexual precoce da sua filha, mas a reação pode inspirar a criança a virar-se para ela mesma, sentindo culpa pelos sentimentos sexuais ou aprendendo a comprometer o desejo em troca de compromissos seguros. Muitas pessoas com este aspeto lutam contra os seus corpos: “Não é perfeito”, "É nojento" ou “Lembra-me o corpo da minha mãe”. Contam como se sentem criticados pela mãe ou envergonhados pela galanteria da sua própria mãe. Estão na linha da frente daquilo que é um dilema cultural mais vasto, onde o feminino dividido deflagra por meio de desordens alimentares, a incapacidade das mulheres de partilhar o poder com outras mulheres, ou homens que confundem as esposas com as mães e que têm de manter encontros fortuitos com as suas amantes.
   Muitos com Lua/Vênus sentem uma doce ligação às suas mães, mesmo que o relacionamento seja por vezes conturbado. Uma influência feminina positiva -uma mãe, tia ou avó que é capaz de abarcar tanto Hera como Afrodite com a vontade – podem ajudar a dar a este aspeto uma bonita manifestação: A tarefa da alma de Vênus/Lua é reunir o Feminino na sua plenitude original. Amar o corpo e reclamar a sua sacralidade pode ser um passo importante na integração destas duas potências femininas. Isto foi uma descoberta importante para uma Lua/Vênus em quadratura no meu estudo:
   Aprendi uma preciosa lição durante umas férias de verão no Brasil quando tinha 17 anos. No Rio andavam praticamente nus nas ruas. Os homens usavam aqueles reduzidos fatos de banho da Speedo e as mulheres de todas as formas, idades e tamanhos usavam biquínis ou tangas de 2 peças e ninguém olhava para eles duas vezes. Sentem-se tão livres nos seus corpos. Refleti acerca disso. Após o choque inicial, fez-se luz dentro de mim acerca da beleza do corpo humano e das diferentes formas que ele assume. Se alguém não gostar, ele ou ela podem sempre olhar para outro lado.
   Vênus desperta no corpo naturalmente, por vezes antes da idade culturalmente aceite, mas quando ela está em aspeto com Plutão, poderá haver uma iniciação indesejada. Seria irresponsável e incorreto dizer que a ligação Vênus/Plutão indica abuso sexual. No entanto, da mesma forma que Plutão raptou e levou Perséfone para o submundo, poderá haver uma prematura e indesejada consciência do sexo, demasiado forte para ser totalmente processada pela inocência. Este é outro aspeto que pode acarretar vergonha em relação ao corpo ou a sensação de ter sido lesado de alguma forma. Com Vênus/Plutão, é quase como se uma camada de proteção estivesse a faltar, intensificando a vulnerabilidade e aumentando a voltagem das emoções. Há uma grande força neste aspeto, mas inicialmente a sua sensibilidade pode inspirar extremos ou de silenciar Vênus por completo ou de a atirar aos lobos.
   O que é que eu aprendi sobre o amor antes de ter cinco anos de idade? Que eu era inamável, indesejada. De alguma forma o sexo estava emaranhado nisso, mas não consigo compreender totalmente como. Fui sexualmente abusada aos nove, mas simplesmente sei que não foi a primeira vez e tenho estranhos fragmentos de memórias. Aprendi que o sexo me podia comprar uma ilusão de amor. O amor é algo em que ainda é muito difícil de acreditar mesmo após anos de terapia. Uma vez, apesar de a minha maior capacidade de discernimento, envolvi-me com um homem assustador (intensamente possessivo e muito desonesto) quase imediatamente após a separação do meu ex-marido. O nosso relacionamento sexual era quer ardente quer por vezes sombrio (envolvendo S & M) quer excitante quer perturbador e por vezes, mais para o final, assustador. Eu era a masoquista no relacionamento em muitos aspetos, incluindo o sexual. Após o final do relacionamento, ( que foi intensamente doloroso porque eu tinha desenvolvido “amor”/ necessidade dele?) Decidi saltar fora! (Vênus oposição Plutão)
   Quando alguém viaja pelo submundo, ter um guia ajuda. Uma vivência Vênus/Plutão dolorosa pode ser o catalisador da procura de aconselhamento, de adesão a grupos de apoio ou da participação em workshops conduzindo a uma melhor percepção do próprio e dos outros e a uma identificação das motivações mais profundas e dos padrões inconscientes. Algumas das mais dramaticamente dolorosas histórias de perda, abuso e traição foram contadas pelos Vênus/Plutão do meu estudo, no entanto, elas também mostraram uma força de sobreviventes e uma intensa autoconsciência. É útil relembrar que no mito Perséfone se transforma numa Rainha. Podemos dizer que ela aprende a proteger cuidadosamente os seus tesouros, revelando-os apenas àqueles merecedores da sua confiança. Com mestria, ela inspira outros com a sua autenticidade emocional, a sua prontidão para ir ao encontro do desconhecido, a sua habilidade para limpar o passado, libertando relacionamentos que já cumpriram o seu propósito.
   Os livros de astrologia alimentam grandes expectativas acerca dos aspetos Vênus/Júpiter. A conjunção é considerada a mais afortunada de todas as combinações planetárias, trazendo abundância, sorte e popularidade. O lado negro desta e de outras combinações Vênus/Júpiter é habitualmente relatado como excesso de indulgência excesso de comida, bebida, de gastos ou arrogância e hipocrisia. Entre os Vênus/Júpiter do meu estudo e até mesmo entre aqueles que tenho conhecido, é raro encontrar estes altos ou baixos extremos. O mulherengo Zeus e a promíscua Afrodite tinham de facto a reputação de serem indulgentes. Mas noutros mitos, eles eram pai e filha, com Zeus a elevar Afrodite ao estatuto de divindade, alternando entre protegê-la e discipliná-la. Foi sobre esta qualidade de elevação que eu mais ouvi da parte dos Vénus/Júpiter do meu estudo. Havia uma aspiração por viagens, geográficas e espirituais e prazer nas vivências que proporcionavam liberdade, novas perspectivas e uma ligação à verdade. A boa sorte vinha muitas vezes através dos professores. Na história seguinte de uma mulher com Vênus em trígono com Júpiter, quase que nos conseguimos aperceber de Zeus a cuidar da sua filha, chamando-a a viajar para o templo da sua própria mulher. Talvez fosse Zeus disfarçado do guarda que lhe permitiu entrar para receber uma mensagem importante.
   Há uns anos viajei para a Grécia e fui levada a visitar o Heraion, um templo dedicado à deusa Hera. É um sítio ermo no planalto argivo. Não consegui perceber porque fui levada a visitá-lo. Estava um calor abrasador mas tinha de ir. Nada me impediria Quando cheguei ao local, o guarda, que disse que raramente tinha visitantes, ficou tão contente de me ver que me deixou entrar de graça. Trepei ao muro do templo e sentei-me no cimo dele, a olhar para as montanhas ao longe. Os insetos zumbiam nos relvados secos e o sol massacrava, mas eu estava esquecida de tudo. Repentinamente, uma declaração muito imperiosa, clara e decisiva entrou no meu consciente. “Durante quanto tempo achas que consegues viver uma mentira?” – perguntou aquilo. Fiquei chocada. Não se parecia nada com a minha voz interior. A questão foi repetida e eu imediatamente soube a que dizia respeito. Eu vivia há muitos anos um casamento muito difícil e infeliz. A experiência estava a matar o meu espírito. Comecei a chorar suavemente, depois as lágrimas vieram acompanhadas de grandes e pesados soluços. Finalmente recompus -me e regressei ao meu hotel. Quando me dei conta do que tinha acontecido fiquei esmagada. O arquétipo da grande deusa tinha ressuscitado, ali no Heraion. Quando regressei aos Estados Unidos, pedi o divórcio e fui viver e trabalhar para a Grécia; (Vênus em trígono com Júpiter).
   Seja qual for o aspecto planetário, se encararmos as nossas vivências difíceis de Vênus como o nosso caminho único para o crescimento, também seremos elevadas e não mais seremos vítimas ou fracassos. As pessoas podem ser muito críticas acerca dos seus próprios fracassos amorosos. Talvez seja Vénus que viaja através de nós, para atingir a plenitude da sua felicidade uma e outra vez. Quando ela nos conduz através do submundo, se não cairmos na inconsciência ou permanecermos ali, se continuarmos a nossa viagem, poderá haver momentos em que saberemos o que os deuses sabem.
   Vivi sempre o meu Vênus em oposição a Netuno como mágoa, apaixonando-me por todos os homens errados – ansiando por uma ligação mais profunda, nunca me conseguia encontrar com homem por quem me sentia atraída, amando homens que não me amavam ou que tinham outra mulher nas suas vidas. Costumava chamar-lhe o horóscopo da mágoa até chegar aos 48 anos de idade. Conheci um artista que se ligou a mim instantaneamente. Estamos juntos há 3 anos. Como retratista, pintou as minhas duas filhas e um nu de mim que está agora dependurado numa galeria de arte. Isto é que é Vênus em funcionamento!

Traduzido do Inglês por Patrícia Vieira Neves







segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Astrologia Básica



   Com a intenção de decodificar e apresentar a astrologia como filosofia e forma alternativa de raciocínio, transitar pelo simbólico que amplia e liberta do aprisionamento do literal e formal, coloco os princípios básicos para começar a desvendar este conhecimento milenar, que vem evoluindo com a humanidade ao longo dos milênios e liga o homem ao sistema universal. 
   A referência é o Sistema Solar, Sol, Lua e os planetas, Mercúrio, Vênus, Marte, chamados de pessoais, Júpiter e Saturno de sociais e Urano, Netuno e Plutão os trans-saturninos. Interpretamos a relação angular entre eles e a posição que ocupam na eclíptica, rota aparente da Terra em torno do Sol. A Astrologia é geocêntrica (o centro é a Terra) e tem o Sol como à energia vital de todo sistema, a Lua, satélite da Terra, como referência do emocional e da origem dos eventos no nosso planeta.
   Mercúrio é a mente racional e a comunicação, Vênus o feminino e os valores, Marte a energia masculina e como agimos, Júpiter a expansão e crenças, Saturno os limites e o carma. Urano revoluciona e moderniza, Netuno sublima e transcende e Plutão as forças que se manifestam do inconsciente. O signo e casa que ocupam são determinantes para o aconselhamento astrológico. Esta definição é só um indicativo, para entender esta relação temos que aprofundar os estudos.
   Mapa Astral é o desenho do céu no momento do nascimento. É calculado a partir da posição do Sol, dia, mês, ano, local e horário. Encontramos, em seguida, um ponto no horizonte que chamamos de Ascendente de onde desenvolvemos o traçado do mapa.
   Durante as 24 horas todos os 12 signos passam por este ponto, iniciando no nascer do Sol e do signo que ele ocupa. Quando o Sol nasce, o signo que está no Ascendente é o signo que o Sol está, se passando por Capricórnio, teremos Sol e Ascendente em Capricórnio, e ao longo do dia, de duas em duas horas, todos os outros doze signos ocuparão o Ascendente.
   Chamamos o signo Ascendente de porta de entrada da vida, filtro pelo qual entram todos os Planetas, Sol e Lua inclusive. Ele é nossa primeira impressão e como desenvolvemos nossa caminhada. Ao longo da jornada vamos agindo através dele e recebendo em troca o reflexo. 

   O Ascendente é a imagem que passamos para o mundo, caminho do espírito, o Sol, cenário da nossa passagem neste plano. O signo que temos aí é como o mundo nos vê e como contamos nossa história, oposto temos o signo da casa VII que é o que vivenciamos através dos relacionamentos, projetamos até incorporá-lo a nossa experiência. Estar em harmonia com estes arquétipos é o começo para ficar em paz, com o que somos e com o que representamos. Ele nos diferencia dos demais que possuem o mesmo signo solar.
   Em Áries desenvolvemos de forma impulsiva o nosso signo solar, em Touro lenta e obstinadamente, em Gêmeos de forma comunicativa e assim sucessivamente. No Ascendente começa a compreensão da nossa experiência única, o caminho que traçamos, da o colorido que temos e por qual trajeto caminhamos.

   Signo é a relação existente entre o nome das coisas e as coisas em si, são instrumentos de representação e comunicação. Os signos astrológicos são 12 divisões de 30º do zodíaco, também 12 são as casas da carta natal. 

   A carta astrológica parte do horário de nascimento que marca o Ascendente, partindo dele temos todas as outras 12 casas, setores da vida que são abordados a partir de um determinado grau do signo. Isto significa que todos têm os 12 signos, deverão ser desenvolvidos a partir de algum setor. São determinantes as condições sociais, econômicas, ambientais e familiares de cada um.
 Os signos se dividem pelos quatro elementos: Fogo (ação), Terra (matéria), Ar (pensamento) e Água (emoção). Áries, Leão e Sagitário são do Fogo, Touro, Virgem e Capricórnio da Terra, Gêmeos, Libra e Aquário do Ar, Câncer, Escorpião e Peixes são signos da Água. Esta divisão nos inicia na interpretação de cada signo.

   Cada um possui o seu oposto complementar que chamamos de eixos: Áries/Libra (eu e o outro) e Câncer/Capricórnio (vida privada e vida pública), os quatro compõem a cruz cardinal que aponta para a energia de começo de cada elemento. Touro/Escorpião (meu material e o material do outro) e Leão/Aquário (identidade e coletividade) são da cruz fixa, energia de estabilização e fixação. Gêmeos/Sagitário (pensamentos e filosofia) e Virgem/Peixes (cotidiano e transcendência) da cruz mutável, flexibilidade e evolução.



terça-feira, 11 de março de 2014

Trânsitos, Quíron em Peixes, Karma e Astrologia


   Vivenciado o segundo retorno de Saturno, tenho Saturno a 15°Escorpião na casa X, e me expirando no colega astrólogo António Rosa do blog Cova do Urso, que nos presenteou com uma análise muito interessantes e corajosa, que me fez rever meus conceitos rígidos, de sua experiência com a quadratura de Plutão com seu Netuno Natal http://cova-do-urso.blogspot.pt/2014/01/plutao-em-transito-em-quadratura.html. Resolvi enfrentar o meu Saturno de frente e ver que ao mesmo tempo que quero me expor, me limito em concepções de exercício profissional desnecessárias, que só enfatizam os limites deste Saturno rígido e potente, tenho Capricórnio na casa XII, e resolvi, apoiada pelo revolucionário trígono exato de Urano em Áries com o Sol natal em Sagitário na casa X, escrever na primeira pessoa, contribuir com a minha experiência pessoal ao vivenciar o trânsito de Quíron e Netuno em Peixes (definição no final do texto) pela minha casa II (experiência na e com a matéria) e Plutão em Capricórnio prestes a chegar a cúspide da minha casa XII.
   Para isto devo informar que o meu Quíron natal é em Capricórnio na casa XII (definição no final do texto), faço pelos outros o que não consigo fazer por mim, conclui que no exercício da minha profissão, Astróloga, sempre soube disto, repeti milhares de vezes na interpretação dos muitos Mapas que interpretei ao longo destes 25 anos de profissão. Escrevi vários textos para este blog sobre o assunto, e de repente as coisas começam a fazer sentido quando Plutão em trânsito faz sextil com o Sol, Netuno e Quíron em Peixes e com todos os planetas que tenho em Escorpião na casa X, Vênus, Saturno e Mercúrio, além da Lilith conjunta com todos eles.
   A revolução que Urano em Áries vem anunciando traz rupturas e mudanças inexoráveis, que estão acontecendo nos comportamentos da humanidade e começa em cada um individualmente, que multiplicado gera a mudança do estágio evolutivo do planeta. Devo lembrar que nos trânsitos dos trans saturninos, Urano, Netuno e Plutão, não temos escolhas, eles pontuam estágios a serem cumpridos no planeta, eras, ciclos universais, aos quais estamos atrelados. Cumprimos ou somos descartados através das doenças mentais, físicas, desastres e mortes. Somos seres do e no Universo e através da linguagem astrológica e na interpretação de que cada um de seus estudiosos, lendo nosso Mapa Natal, temos uma orientação, que nos ajuda e vislumbrar uma função, missão ou papel a ser cumprido (MC/casa X, casa de Capricórnio que é regido por Saturno, o Senhor do Carma), que se interpreta através do signo que temos no Meio do Céu e nos planetas que habitam a casa X, entre outras coisas que neste post não vem ao caso.
   O que me motiva a escrever sobre isto é porque acredito que os trânsitos planetários não indicam o bem ou o mal, o bom ou o ruim, determinantes do fracasso ou sucesso dos encaminhamentos que damos as nossas vidas, precisamos estar preparados, conscientes e sintonizados, são indicações que precisam encontrar eco para não serem verdadeiros desastres quando se trata dos trans saturninos, e que colaboram para a interpretação apocalípticas de alguns, principalmente as mais tensas como algumas conjunções, oposições ou quadraturas. Acredito que se não aprendemos por sabedoria vamos aprender pela dor, e a minha prática de Quíron em Capricórnio na XII me habilita a ajudar, a me comover com a dor alheia, que é a minha dor em assumir o meu papel, a minha missão, que pode contribuir e me libertar do ostracismo auto imposto, escondida em conceitos e em noção filantrópica dos meus talentos e conhecimentos, angariado em quase 60 anos de idade e em 25 anos de dedicação aos estudos da Astrologia, onde desenvolvi uma visão pessoal deste conhecimento, com a profundidade e poder de todos os meus planetas em Escorpião na casa X. Como se diz no popular: Sair do armário! Assumir.
   Estou me deparando com o inexorável do trânsito de Plutão em Capricórnio, minha casa XII, ou encaminho a revolução que Urano em trânsito por Áries na minha casa III, ideias, pensamento e comunicação, paro de confundir ambições e apego material com realização profissional o que bloqueia minhas atitudes e me encastelam no trono dos meus conhecimentos experimentados, que de muito me serve na condução e sustento suficiente da minha vida pessoal e material, que avalio neste momento extremamente satisfatória em muitas áreas, mas ainda insuficiente no quesito expor, compartilhar, contribuir e debater experiências em prol do desenvolvimento da abordagem astrológica.
   Comecei a dois anos a me expor, muito timidamente através da criação de uma página no Facebook: Beth F Bórba Astrologia, e fiz o Pensando o Céu, novembro 2012, a pouco mais de um ano, escrevendo freneticamente até dezembro de 2013 onde parei para elaborar melhor a linha promover, debater e disponibilizas Astrologia. Promover até promove disponibilizando definições cartesianas e pouco ousadas dos símbolos. Mas estou sendo coerente com o uso que acredito que esta linguagem deve ter? Propor linha de interpretação? Até que sim, ensaiei alguns artigos que remetem a visão que desenvolvi nestes anos todos de prática e estudos, mas não são suficientemente representativos e elucidativos.
   Meu Quíron natal em Capricórnio na casa XII me ensinou, ajudando as pessoas a se desenvolverem profissionalmente, que preciso curar uma ferida cármica, me responsabilizar e divulgar o que aprendi ensinando, pesquisando e aplicando, superando as minhas exigências e ignorância, e encontrando caminhos. Expor a minha visão desta milenar linguagem, sei que não estou só, que venham os pares e opositores, para um debate respeitoso e ético, em prol do desenvolvimento da Astrologia. Reservo-me o direito de não me desgastar com debates pífios de egos, falsos mestres ou gurus iluminados.
   Minha casa XII, preste a receber Plutão que vem fazendo explosões e desmoronamentos nas estruturas, que podem afetar a minha saúde física e psíquica, mas que se bem compreendido e encaminhado, a leitura do Mapa Natal por um profissional qualificado pode ajudar e muito, pode ser um agente transformador no cumprimento da minha missão nesta encarnação (Meio do Céu em Escorpião e Plutão em Leão na casa VII). Conectada com os ciclos e o desenvolvimento do meu carma pessoal com o olho nos acontecimentos do coletivo.
   Quíron em Peixes em trânsito pela minha casa II dissolve auto enganos e traz à tona, com o suporte de uma vida dedicada a estudar, praticar e pensar, consciente que só nos ajudamos ajudando ao próximo, que não somos ilhas e sim um conjunto chamado de Humanidade, onde o que acontece para um se reflete no todo. Só assim estou adquirindo coragem e equilíbrio para sair do ostracismo protetor e limitador para quem tem o Sol em Sagitário na casa X (quadratura Lua em Peixes na II), Ascendente em Aquário com Marte na I em Aquário oposto a Plutão em Leão na casa VII e Urano e Júpiter conjuntos em Câncer na VI.
   Caminhei os caminhos do desenvolvimento pessoal através dos questionamentos e na busca das respostas, me encontro apta a contribuir num nível mais abrangente e transformador com a linguagem que foi minha parceira e objeto de estudo, estudando, praticando e analisando resultados.
Abaixo alguns fragmentos de textos que escrevi neste ano e pouco de existência deste blog, sobre:
   Quíron em Capricórnio ou na casa X encontra dificuldade de encontrar seu papel no mundo, profundo sentimento de rejeição da mãe. Seu dom é ajudar as pessoas crescerem profissionalmente. 
   Quíron em Peixes ou na casa 12 tem um forte sentido do trans pessoal e de coletivo, uma forte identificação com o caos, com aquilo que se dissolve e um desejo secreto de regressar à unidade, ao uno e indivisível.
   Outro vínculo a este signo e casa é a possibilidade da pessoa sentir o isolamento, as tribulações e as incapacidades que a deixam impotentes perante a vida e ao mundo, se tornando fonte de problemas que determinam dificuldade em se encontrar e definir a individualidade, dar uma direção pessoal para a vida. Aí surgem os inimigos ocultos, vítimas de enganos, desilusões, sacrifícios e, eventualmente, tentarem escapar destas situações através do uso de drogas. Se bem orientados pode se dedicar à meditação e a processos de relaxamento, onde, com relativa facilidade atingem o êxtase.
   Este posicionamento pode gerar estranhos sentimentos de culpa como se fossem os responsáveis por tudo que acontece. Raramente sabem a causa desta sensação que os acompanha pela vida. Devido à sensação de serem vítimas permanentes, somatizam essas questões, atraindo para si doenças graves.
   Quíron em Peixes ou na casa doze reflete uma grande sensibilidade para com o sofrimento, atenção para com os problemas coletivos pouco divulgados ou ocultos. Esta posição pode gerar terapeutas, curadores e reformadores que procuram no inconsciente coletivo as forças e as soluções para ultrapassarem os problemas crônicos da humanidade. Muitos deles trabalham longe da atenção pública.
   Com este posicionamento a pessoa pode assumir uma personalidade desapegada e totalmente despojada perante a vida, mas de forma consciente e criativa, procurando ultrapassar as limitações e transmutar os seus próprios sofrimentos, complexos cristalizados através da autorrenúncia doadora e da prática da espiritualidade, regenerar a si e aos outros.

   Com este texto pretendo iniciar uma séries de interpretações de trânsitos, aspectos e posicionamentos, integrando-os a prática cotidiana, escolhas e atitudes frente a vida. Que contribuição trazem para o nosso autoconhecimento, evolução, sabedoria e desenvolvimento pessoal.
  




terça-feira, 12 de março de 2013

Sol nos signos e casas do Mapa Natal


   De todos os corpos celestes o Sol é o mais cheio de conteúdo simbólico e significados. Desde os primórdios o homem associa o Sol ao princípio da vida, símbolo espiritual e material da divindade. Tudo na natureza depende da luz solar.
   Na astrologia o Sol representa o Eu Superior, o espírito, essência, personalidade, poder da vontade, consciência desperta e autoridade. Princípio vital e centro de todas as coisas físicas representado por um círculo, símbolo do espaço e do tempo infinito, com um ponto no meio simbolizando o espírito.
   Representa o princípio masculino, positivo, regente do signo de Leão, energia fixa e seu metal é o Ouro.

Sol nos signos/casas:

- Áries ou na casa I – Forte personalidade que causa forte impressão, grande energia e capacidade de decisão. Possui personalidade impaciente e irritadiça, autoconfiança e tendência a fazer mais do que pode apesar do físico forte e boa saúde. Precisa aprender a se controlar e aceitar as próprias limitações. Pessoa direta e honesta na aproximação, líderes natos devem cuidar com os sentimentos dos outros. Grande força e personalidade forte devem cuidar para não se exceder e atropelar. São regidos por Marte.
- Touro ou na casa II – Gosto por objetos familiares, ambientes confortáveis e grande necessidade de segurança material. Apegos aos objetos pessoais possuem grande sentido de valor o que muitas vezes os levam a colecionar todo o tipo de coisas.
Tem grande dificuldade de repartir, possessivos com pessoas e coisas. Ciumentos e com grande senso de integridade. Cautelosos e por isto dito teimosos e lento. Regidos pela Vênus o que lhes confere enorme sensualidade e magnetismo.
- Gêmeos ou na casa III – Mentes ativas e curiosas necessitam de mudanças constantes e possuem grande flexibilidade. Precisam aprender a se disciplinar porque não conseguem permanecer muito tempo na mesma direção. Possuem grande versatilidade e através da cultura podem alcançar um grande desenvolvimento intelectual. As comunicações podem ter muita importância na carreira. Os irmãos e os amigos podem ter grande importância na vida. Imaginação viva e fantasias sexuais. São regidos por Mercúrio e possuem compreensão teórica do amor.
- Câncer ou na casa IV – A família é aconchego e segurança, o lar é um refúgio, quando o mundo externo trás desconforto recorre a ele para encontrar conforto emocional. A quietude é um instrumento de defesa. Preferem se relacionar com o que lhes é familiar e amam de modo protetor e controlador. Regidos pela Lua possuem grandes habilidades de manipulação emocional, tendência a adotar o outro tem enorme sensibilidade e sensitividade.Grandes anfitriões e cozinheiros, talento para atividades que se ocupem da alimentação e nutrição das pessoas. Tendência a viver no passado e se apaixonam com grande facilidade.
- Leão ou na casa V – Possuem seus próprios princípios e maneira de ser, confrontam com tudo e todos que tentam obrigá-los a conformar-se com padrões que não concordam. Possuem enorme auto-estima. Competitivos e orgulhosos o que os leva a explosões de raiva quando confrontados ou agredidos. Forte senso de identidade e lealdade o que os leva a agir de forma direta nos relacionamentos. Gostam de ser o centro das atenções e exercer cargos de liderança. Regidos pelo Sol são calorosos e emocionalmente explícitos, possuem uma atitude aberta e saudável em relação ao sexo.
- Virgem ou na casa VI – Atitudes tímidas frente à vida preferem se posicionar fora do centro das atenções. Possuem altos padrões de exigências e tendem ao perfeccionismo. Interesse por aprender a manusear ferramentas e instrumentos, técnicas e a elaborar critérios. Escolhendo se aperfeiçoar em algum ofício podem se tornar mestres e atingirem grande habilidade mental. Precisam aprender a ser mais autoconfiantes e menos autocríticos. A exigência e os altos padrões de desempenho podem levar a insegurança e a autoflagelação. O amor e a sexualidade passam pela solidez e lealdade. São regidos por Mercúrio.
- Libra ou na casa VII - Grande habilidade em adequar suas necessidades as dos outros. Agindo aos pares potencializam a eficiência e a produtividade. Muito sociais aprendem muito cedo a compartilhar e cooperar. Possuem grande habilidade em perceber ambos os lados de uma controvérsia. Diplomatas natos precisam desenvolver maior independência. Regidos pela Vênus amam a beleza, a moda, as jóias e tudo o que for elegante e tenha estilo.
- Escorpião ou na casa VIII – Seriedade e desde cedo exercem autoridade sobre a própria vida e escolhas. Atraem-se pelos mistérios e pelos aspectos ocultos da vida. Profundas podem incomodar as pessoas pela sua introspecção e autonomia. A expressão física da sexualidade é muito importante. Extremamente sensoriais entram em contato profundo com a energia dos outros ao mínimo contato. Regidos por Plutão, Senhor do Mundo de Baixo, das forças do inconsciente e da magia.
- Sagitário ou na casa IX – Buscam respostas a todas as perguntas, conhecer o mundo é o seu maior interesse, ânsia de saber. Interesse por leis, ética, religiões e viagens, possuem grande tolerância com as falhas alheias. Filosóficos e expansivos precisam de espaço e podem se tornar invasivos. Regidos por Júpiter tem energia sexual vigorosa e entusiástica. Precisam desenvolver disciplina e critérios práticos para a vida cotidiana. Precisam de liberdade e espaço nos relacionamentos afetivos.
- Capricórnio ou na casa X – Grande necessidade de realização e controle do destino. Dificuldade para seguir ordens, procurar profissões em que possam ter liberdade de ação e autonomia. O pai tem grande importância na vida, responsabilidade e persistência são qualidades natas. Devem procurar atividades relaxantes para não sobrecarregar a saúde dos ósseos, articulações, dentes, unhas e pele. Precisam aprender sobre rapidez demoras e suas variáveis, são regidas por Saturno, Senhor do Destino e do Tempo.
- Aquário ou na casa XI - Idealismo e busca de grandes realizações. Regidos por Urano tem qualidades revolucionárias e alternativas. Procuram por pessoas que, mesmo diferentes, tenham qualidades comuns. Possuem grande sociabilidade e senso comum, desenvolvem uma incomum capacidade de compreensão dos limites e possibilidade. Trabalham por causas sociais e transgridem os padrões estabelecidos. Forte senso de responsabilidade e maturidade será necessário um comportamento aberto frente os relacionamentos afetivos.
- Peixes ou na casa XII – Tímidos e preferem a retaguarda, possuem enorme sensibilidade e captam as energias dos ambientes e das pessoas em volta. Possuem grande dificuldade em exercer uma comunicação aberta e direta mesmo quando não há nada a temer. Regidos por Netuno possuem compaixão pelos outros, interesses espirituais, segredos e possuem enorme imaginação e tendência a fantasiar. Na infância, provavelmente, brincam com amigos imaginários e isto lhes dá uma grande compreensão sobre o real e o imaginário. Enormes sensibilidades às drogas devem evitar desde o álcool até remédios, a medicina alternativa pode ser uma ótima opção.  

astrologia e o pensamento simbólico

Lua Negra/Lilith em Escorpião

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